O PSOL vive um dos momentos mais conturbados de sua história, com parlamentares trocando acusações nos bastidores e a crise interna se tornando cada vez mais pública. A disputa gira em torno do grau de apoio ao governo Lula, mas reflete anos de ressentimentos e disputas de poder dentro da sigla.
Em entrevistas ao UOL, deputados usaram xingamentos como “mentiroso”, “imaturo” e “palhaço” para se referirem aos próprios colegas de bancada.
A maioria dos que fazem as acusações prefere o anonimato, enquanto os que se identificam tentam manter o tom mais moderado, mas admitem que a crise está expondo negativamente o partido.
A crise no PSOL se aprofundou desde a entrada de Guilherme Boulos no partido, em 2018. Atualmente, a legenda está dividida em duas alas:
Ala majoritária (8 deputados) – Liderada por Boulos, defende um apoio incondicional ao governo Lula, reconhecendo contradições, mas considerando o petista a única alternativa contra Bolsonaro e a direita.
Ala minoritária (5 deputados) – Liderada por Glauber Braga (PSOL-RJ), critica a aproximação com o governo e argumenta que o partido está abrindo mão de suas bandeiras socialistas para se acomodar dentro do PT.
O grupo de Boulos acusa a ala minoritária de ter uma “atitude de DCE [Diretório Central dos Estudantes]”, ou seja, de priorizar debates internos e ideológicos, em vez de enfrentar o verdadeiro inimigo, que seria a direita e Bolsonaro.
Já os dissidentes, como Glauber Braga, argumentam que o PSOL está se tornando um partido submisso ao PT, deixando de lado suas próprias bandeiras.
“Em vez de ser decisão pontual, o PSOL se abstém de suas lutas porque está engolido pelo abraço da esquerda com a direita liberal”, afirmou Glauber Braga.
A tensão aumentou quando a discussão sobre o apoio a Lula se transformou em ataques diretos a Boulos. A ala dissidente o acusa de estar pressionando o partido a abandonar seus princípios socialistas para crescer na política, mirando voos mais altos.
Boulos não se manifestou sobre as críticas, mas seus aliados refutam as acusações, alegando que os dissidentes simplesmente não aceitam que sua visão política foi derrotada na convenção do PSOL.
A relação azedou de vez durante as reuniões internas da bancada. Glauber Braga, um dos mais críticos ao alinhamento com Lula, teria perdido o controle, gritado e até dado socos na mesa.
Glauber e seus aliados foram chamados de “crianças mimadas e birrentas” pela ala majoritária, que também os acusa de vazar informações para a imprensa para tentar enfraquecer o grupo dominante.
Por outro lado, a ala dissidente reclama do sufocamento dentro do partido. Segundo eles, a liderança da Câmara está sempre com a ala majoritária, e os princípios socialistas do PSOL estariam sendo deixados de lado em nome da governabilidade.