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O que é Fibromialgia? Quais os sintomas? Tem cura?

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A fibromialgia é uma doença caracterizada por dor difusa crônica, associada à fadiga persistente, distúrbios do sono, sintomas funcionais variados e diversas alterações psiquiátricas.

Tanto no Brasil, quanto no mundo, a dor crônica é considerada um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. A fibromialgia representa cerca de 20% do total de pacientes com queixas de dor crônica, representando uma das doenças com maior frequência nos consultórios reumatológicos e nas clínicas para tratamento de dor.

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Apesar dos avanços em termos de diagnóstico, muitos profissionais de saúde ainda enfrentam desafios para identificar a doença. A complexidade da fibromialgia exige uma abordagem de tratamento multidisciplinar, uma vez que cada pessoa pode apresentar características clínicas distintas, tornando a personalização do tratamento uma consideração importante.

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da fibromialgia, incluindo predisposição genética, fatores emocionais, cognitivos e a capacidade psicológica da pessoa em lidar com o estresse, por exemplo.

Devido à sua relevância para a saúde humana, é fundamental discutir e conscientizar a população acerca da fibromialgia. Neste conteúdo, você encontrará informações muito importantes para tirar as suas dúvidas sobre o que é a fibromialgia, quais seus sintomas, causas e tratamentos atualmente disponíveis.

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O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma condição caracterizada por sensações dolorosas que se manifestam em todo o corpo. Identificar se essa dor está nos músculos ou nas articulações pode ser um desafio para o paciente, pois constantemente há relatos de desconforto generalizado, sem uma região específica para a ocorrência das sensações dolorosas.

A elevada sensibilidade ao toque e à pressão em pontos específicos do corpo é uma característica distintiva da fibromialgia, em que um toque leve pode causar desconforto, formigamentos, dormências, dores de cabeça, tontura e irregularidades intestinais, ampliando a complexidade da condição.

Além da dor, a fibromialgia traz consigo uma série de sintomas que podem impactar significativamente a qualidade de vida dos indivíduos afetados, conforme descreveremos a seguir.

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Quais os sintomas da fibromialgia?

O sintoma predominante é a presença difusa de dor, especialmente no sistema musculoesquelético. No entanto, conforme mencionado, essa dor, muitas vezes, desafia a capacidade do paciente de localizar precisamente a fonte do desconforto. Muitos descrevem a sensação como se a dor tivesse origem nos ossos, nas “juntas” (articulações) ou nos músculos. A fadiga é outra queixa recorrente e é traduzida por um cansaço ao executar as atividades do dia a dia. É comumente confundida com sonolência por quem convive com a condição.

Os distúrbios do sono são altamente prevalentes na fibromialgia, sendo as primeiras alterações objetivas observadas nos estudos do sono (polissonografia). Mesmo que o paciente durma por um período significativo, a sensação de acordar cansado é característica do chamado “sono não reparador” da fibromialgia. Insônia, sensação de pernas inquietas antes de dormir e movimentos nas pernas durante o sono também podem ser comuns.

Queixas em outras regiões do corpo, como dor abdominal, queimação, formigamentos, problemas urinários e dor de cabeça, podem ser usuais entre os pacientes. Assim como em outros casos de dor crônica, os pacientes também relatam dificuldades de memória e concentração, bem como podem apresentar distúrbios de humor, ansiedade e depressão.

O que causa a fibromialgia?

Embora ainda não haja uma causa determinada, estudos indicam que pessoas com fibromialgia exibem uma sensibilidade mais elevada à dor, em comparação com aquelas sem a condição. As pesquisas discutem, ainda, que o cérebro das pessoas acometidas pode interpretar os estímulos de maneira diferente das demais, desencadeando uma resposta amplificada do sistema nervoso, resultando em maior percepção de dor. Especialistas também não descartam o envolvimento de predisposição genética na etiologia da doença.

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A fibromialgia pode surgir após eventos traumáticos na vida, como traumas físicos, psicológicos ou mesmo infecções graves. Inicialmente, o quadro pode começar com dor crônica localizada, evoluindo para todo o corpo. A razão pela qual algumas pessoas desenvolvem a doença, enquanto outras não, permanece desconhecida. Contudo, é necessário ressaltar que não se questiona a autenticidade da dor relatada pelos pacientes.

Avanços em técnicas de pesquisa que possibilitam a observação em tempo real do cérebro em funcionamento confirmaram que os pacientes com fibromialgia experimentam realmente a dor que descrevem. Essa dor é peculiar, não acompanhada por lesões corporais aparentes, porém intensamente percebida pela pessoa afetada. Apesar da incerteza da causa exata, observa-se que algumas situações tendem a agravar as dores, como excesso de esforço físico, estresse emocional, infecções, exposição ao frio, má qualidade do sono e eventos traumáticos.

Entender esses aspectos é essencial para que pacientes e profissionais de saúde possam trabalhar juntos no manejo dos sintomas, personalizando abordagens de tratamento que considerem as particularidades de cada indivíduo.

Qual a relação entre a fibromialgia e a saúde mental?

Quadros ansiosos e depressivos exercem uma influência negativa sobre a doença, algo que também é observado em outras condições médicas. Depressão, transtornos de ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração são frequentemente observados em pacientes com diagnóstico de fibromialgia. Além dessas alterações, características comportamentais como preocupação excessiva, sentimentos de culpa, eficiência, perfeccionismo e baixa autoestima são normalmente descritas nos portadores de fibromialgia.

Depressão e ansiedade interagem de forma agravante, criando um círculo vicioso que impacta o quadro clínico. Aqueles com depressão costumam experimentar distúrbios do sono e fadiga, sintomas muito prevalentes na fibromialgia. Vale destacar que, embora comum, nem todos os pacientes com fibromialgia apresentam depressão, evidenciando que são condições distintas.

A interpretação da dor pelo cérebro é influenciada por diversos fatores, incluindo as emoções. Emoções positivas, como alegria e felicidade, podem atenuar a percepção do desconforto, enquanto emoções negativas, como tristeza e infelicidade, podem intensificá-lo. Isso é, em parte, explicado pela ação de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, que atuam diretamente na interpretação da dor, na regulação do sono e na manifestação da depressão.

Como diagnosticar a fibromialgia?

O diagnóstico da fibromialgia é um processo essencialmente clínico, dependendo da avaliação cuidadosa do médico durante a consulta. Durante a avaliação, o profissional coleta informações sobre os sintomas apresentados pelo paciente. Pelo fato de a fibromialgia estar frequentemente associada a outros problemas de saúde, estes podem ser indicativos da doença quando os pacientes relatam as dores pelo corpo. Lembrando que, para que seja considerado o diagnóstico de fibromialgia, o quadro doloroso tem que estar presente por, pelo menos, três meses, e o paciente não pode ter outra doença que justifique a presença da dor.

No exame físico, o médico pode identificar uma sensibilidade pronunciada em pontos específicos dos músculos, conhecidos como pontos dolorosos. Mesmo que a quantidade de pontos dolorosos não seja enfatizada atualmente, sua presença contribui para o diagnóstico.

O Colégio Americano de Reumatologiaestabeleceu critérios classificatórios úteis em pesquisas sobre a doença, entretanto, a avaliação médica continua sendo elementar no diagnóstico. No momento da consulta, questionários como o Índice de Dor Generalizada, o Índice de Severidade dos Sintomas e o Questionário de Impacto da Fibromialgia podem ser utilizados para auxiliar tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento dos pacientes.

Em relação aos exames, deve-se enfatizar que não existem testes específicos para diagnosticar a condição. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e sinais observados durante a consulta. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições com apresentação semelhante, ou para identificar problemas adicionais que possam coexistir e influenciar no curso da doença.

A abordagem diagnóstica da fibromialgia apenas reforça a importância da comunicação aberta entre o paciente e o médico, que possibilita uma compreensão completa dos sintomas e facilita a criação de um plano de cuidados personalizado.

Quais os tratamentos para a fibromialgia?

Ainda que não exista uma cura definitiva, a fibromialgia não é progressiva, fatal ou causa danos permanentes. Apesar de ser uma jornada desafiadora, muitas pessoas experimentam uma melhora gradual ao longo do tempo e, em alguns casos, os sintomas podem retroceder significativamente.

O tratamento da fibromialgia não busca uma solução única, mas um gerenciamento adequado da condição. As manifestações variam ao longo da vida, influenciadas por uma complexa interação de fatores físicos, comportamentais e emocionais. O tratamento, adaptado à gravidade dos sintomas, pode proporcionar períodos sem dor ou com níveis de percepção dolorosa consideravelmente baixos. Além da dor, a fadiga, os distúrbios do sono, a depressão e a ansiedade também devem ser adequadamente abordados, para que se consiga melhores resultados terapêuticos.

Ao contrário de algumas doenças reumatológicas, como artrite reumatoide e artrose, a fibromialgia não acarreta deformidades graves ou incapacidades físicas. Todavia, muitos pacientes enfrentam uma redução na qualidade de vida, afetando aspectos sociais, profissionais e afetivos.

O tratamento não farmacológico deve incluir a educação do paciente e a prática de atividade física. Exercícios físicos, principalmente os aeróbicos, apresentam efeitos analgésicos, promovem a liberação de endorfinas, melhorando o humor dos pacientes e proporcionando sensação de bem-estar global.

O arsenal terapêutico para fibromialgia inclui medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios, miorrelaxantes, antidepressivos e anticonvulsivantes. O uso dos antidepressivos está associado à melhora da dor, do ânimo, da fadiga e do sono dos pacientes fibromiálgicos. Pacientes que, além do tratamento farmacológico preconizado, submetem-se a tratamento psicoterápico têm resultados mais favoráveis e mais duradouros.

Entender a fibromialgia é importante para buscar um diagnóstico preciso e iniciar um plano de cuidados adequado. Se você ou alguém que conhece apresenta sintomas semelhantes, é aconselhável procurar ajuda de um profissional de saúde para avaliação e orientação adequadas. Fique atento aos sinais do seu corpo e busque o suporte necessário para viver uma vida mais saudável e confortável.